História do distrito de Nossa Senhora do Ó
Antonio Geraldo Souza Leão, no seu livro "A Geografia e a História de Ipojuca" de 2004 (gentilmente cedido " pelo Vice-prefeito Fernando Eduardo Alves da Silva ) conta a seguinte história de Nossa Senhora do Ó, descrevendo fatos muito significativos do valor da gente desta terra.
"Na área (de N.Sa. do Ó) , no século XVIII, sobravam terras renosas e palustres junto à faixa costeira dentro dos manguezais, que nas condições técnicas do período analisado. não se prestavam à lavoura canavieira.
Entretanto, mesmo com essas limitações naturais, o homem molda o espaço à sua maneira e desenvolve atividades econômicas de "pobre", abastecendo a plantagem canavieira e estabelece o núcleo urbano de Nossa Senhora do Ó de Ipojuca, com 300 fogos, que em 1817 já ultrapassava, segundo Tollenare; Santo Antônio do Cabo, com 100 fogos, São Miguel de Ipojuca em ruínas e a Vila Formosa de Sirinhaém com 100 fogos.
Conseguindo reproduzir o capital, aliado à crise do açúcar nos meados do século XIX, quando há uma inversão na correlação de forças do Estado, durante o governo de Chichorro da Gama em 1846 - 1852 a vila de Nossa Senhora do Ó torna-se Sede de 01 município dominando politicamente todo município do Cabo de Santo Agostinho e o atual de Ipojuca.
Cessada a Revolução Praieira, talvez as forças da plantagem estivessem mais preocupadas com o adversário sulista, há uma reaglutinação para arrumar a casa e Nossa Senhora do Ó sofre a primeira investida dos Senhores de Engenho, sendo rebaixada à povoação.
As crises cíclicas do açúcar empurravam a sede do município para Nossa Senhora do Ó e em períodos de preços elevados para o açúcar a sede passava para São Miguel de Ipojuca, ocasionando quase sempre traumas nessas mudanças. O escritor Mário MeIo, chamava-as de Vilas das Trouxas pois a sede estava sempre em mudanças.
Podemos afirmar que a história do município a partir de sua criação em 1846 foi de disputa pela sede, e pelas tentativas de Emancipação Política de Nossa Senhora do Ó.
Com a criação da Usina Salgado em 1891 Nossa Senhora do Ó deixa de ser uma cidade de pequenas indústrias e comerciantes e de um colégio cujas lentes vinham da França, para se tomar como São Miguel de Ipojuca, apenas uma cidade dormitório dos operários das Usinas sem maiores pretensões, pois não tinham ainda organização sindical.
De 1846 a 1891, durante 45 anos, a sede do Município oscilou entre São Miguel de Ipojuca e Nossa Senhora do Ó de Ipojuca. O combate final deu-se em 1891 quando as tropas da polícia de Pemambuco aliada aos jagunços dos Senhores de Engenho, derrotam na Rua da Batalha as tropas da polícia de Nossa Senhora do Ó comandadas pelo sargento José Jerônimo, que eram independentes de Pemambuco e do Brasil.
Naquela derrota perde-se "Desde siempre e para siempre" ou "até quando" o desejo de uma parcela ou de todo povo em pensar que era possível ao povo brasileiro viver independente do sistema econômico mundial, pelo menos naquelas circunstâncias.
A existência de uma polícia independente da polícia de Pernambuco, refinaria de açúcar, felou de D. Xicuta, gengibirras, fábricas de charutos, da rua dos Ourives em desafio às casas das Índias e da moeda, que proibiam essa profissão na colônia, mostra que Nossa Senhora do Ó de Ipojuca, se não estava fora, desobedecia abertamente ao sistema colonial.
Tollenare no seu livro "IN NOTAS DOMINICAIS" chega a lamentar que com tanta organização e pujança econômica o Estado Colonial Brasileiro, não reconhecesse a organização oense que possuía: justiça, polícia, tenentecirurgião, colégio, etc.
Restou apenas fragmentados os 400 ha. dos minifúndios fruticultores de Canoas e o desejo do povo quando há alguma tragédia doméstica reforçando as teorias de Young (Teoria do Consciente Coletivo).
QUEBRA TUDO E VAMOS EMBORA PARA O Ó
QUE LÁ A VIDA É MELHOR
QUEBRA TUDO E VAMOS EMBORA PARA O Ó
QUE LÁ NÃO TEM CADEIA
QUEBRA TUDO E VAMOS EMBORA PARA O Ó
QUE LÁ NÃO TEM POLÍCIA
São fatos continuadores dessa época sem grandes aspirações:
1929-Resistência armada do povo de Nossa Senhora do Ó comandada pelo pescador e músico Teodomiro contra o Vigário de Ipojuca Frei Menando de levar a Serafina e os sinos da Igreja de Nossa Senhora do Ó para o Convento de Santo Antônio em Ipojuca.
1939-Retirada dos fios elétricos pela Prefeitura de Ipojuca, ficando a vila de Nossa Senhora do Ó sem iluminação permanente até 1954.
1946-Nossa Senhora do Ó perde num jogo de futebol, de 4 x O para São Miguel de Ipojuca em um encontro histórico e o povo do Ó, desesperado, sai pelas ruas gritando o nome do então usineiro da Salgado e dando grandes assobios, como se procurasse um paI.
1961-Finalmente surge a emancipação de Nossa Senhora do Ó tão sonhada, sendo criado um novo município de Nossa Senhora do Ó, mas um político pede ao povo de Nossa Senhora do Ó, que rejeite a Emancipação e cerca de 200 eleitores oenses assinam um documento, acabando-se o sonho.
Em 1994 novamente Nossa Senhora do Ó, tenta emancipar-se mas, os interesses políticos desvirtuam as lutas e há nova derrota, talvez 'desde siempre e para siempre'. "
Nossa Senhora do Ó atualmente (2008)
Hoje N.Sa. do Ó é um núcleo urbano consolidado com 4.901 domicílios levantados no censo de 2000 que também revelou uma população de 22.200 pessoas, sendo 90,78% os domicílios urbanos e 9,22% os domicílios rurais.
Datas importantes
18 à 27/02 - Festa de Nossa Senhora do Ó – Padroeira do Distrito de Nossa Senhora do Ó
08/03 - Criação do muncipio de de Ipojuca com sede na vila de N.Sa. do Ó de Ipojuca
12/10 - Encontro de bandas e fanfarras